domingo, 10 de novembro de 2013

CONT.  PÓS - MODERNISMO 



A POESIA CONCRETA
- A partir de 1952, Décio Pignatari, Augusto de Campos e Haroldo de Campos iniciaram a articulação da chamada poesia concreta, em São Paulo, numa revista chamada Noigandres. 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif

- Reação contra a lírica discursiva e freqüentemente retórica da geração de 45, a poesia concreta procura se filiar às experiências mais ousadas das vanguardas dos século XX. Ela poderia ser sintetizada assim:
a) linguagem sintética, homóloga ao dinamismo da sociedade industrial; 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
b) valorização da palavra solta (som, forma visual, carga semântica) que se fragmenta e recompões na página; 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
c) o poema ganha o espaço gráfico como agente estrutural, em função de que deverá ser lido/visto: 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
d) utilização de recursos tipográficos, visuais, plásticos, etc.

ovo
novelo
novo no velho
o filho em folhos
na jaula dos joelhos
infante em fonte
feto feito 
dentro do
centro
FERREIRA GULLAR
Obras principais: A luta corporal (1954); Dentro da noite veloz (1975); Poema sujo (1976)
- Iniciou sua obra sob os princípios da poesia concreta. 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
-Após romper com os concretistas, aproximou-se da realidade popular e do pensamento progressista da época, todo ele ligado ao populismo. Sua poesia torna-se social e, às vezes, excessivamente politizada e prosaica. 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
- A publicação de Poema sujo, em 1976, representou a superação de seus impasses temáticos e formais. Poema sujo é uma espécie de síntese de Ferreira Gullar. Nele se encontram expressas todas as suas experiências vitais em São Luís, sua aprendizagem da vida, sua visão de mundo, suas angústias e esperanças, numa poesia ao mesmo tempo instintiva e reflexiva. Uma poesia que incorpora as "impurezas" do mundo, ou seja, uma poesia "suja" com os resíduos da realidade. 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
- Em Poema sujo, as idéias, as sensações as lembranças e a coragem do escritor tipificam-se. tornam-se a imagem do intelectual brasileiro que encontra a sua identidade, em meio às primeiras crises da ditadura militar


 LYGIA FAGUNDES TELLES (1923)
Obras principais: PCiranda de pedra (1955); Verão no aquário (1963);Antes do baile verde (contos,1970); As meninas (romance,1973); Seminário dos ratos (1977); As horas nuas (1989). 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
- Descendente da linha aberta por Clarice Lispector, mantém o interesse pelo movimento psicológico das personagens. Contudo, em sua obra o mundo exterior configura-se com maior objetividade. 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
- Além disso, suas narrativas publicadas a partir da década de 1970, têm apresentado uma saudável abertura para uma temática social e política, conforme podemos observar especialmente em As meninas.



ANTONIO CALLADO (1917-199)
Obras principais: Quarup (1967), Reflexos do Baile (1975)
Quarup
- Através da trajetória de um padre, Nando, que perde a vocação religiosa, adquirindo em troca uma profunda consciência do atraso nacional, o autor nos mostra os fundamentos da sociedade brasileira dos anos de 1950 e 1960. 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
- Ainda que a saída ideológica de Nando pela luta guerrilheira seja equivocada, o romance apresenta capítulos extraordinários, destacando-se a expedição que vai ao Xingu, demarcar o ponto central do país. O contato com os índios e as conseqüentes doenças que esses contraem são inesquecíveis e por si só legitimariam Quarup.


DALTON TREVISAN (1925)
Obras principais: Novelas nada exemplares (1965); A guerra conjugal(1969); Cemitério de elefantes (1970); Os desastres do amor (1968); O vampiro de Curitiba (1970); Faca no coração (1972); A polaquinha (novela, 1992).
- Sua obra é basicamente composta por contos. 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
- Coloca Curitiba como o cenário simultaneamente mágico e vulgar de seus relatos. 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
- Seus personagens vivem em torno dos desastres do amor. Uma sucessão de desejos alucinados, taras, compulsões, traições cruéis, crimes do coração, paixões proibidas e infelizes compõem o seu mundo ficcional. 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
- Um personagem símbolo desse mundo de paixões terríveis e solidão não menos assustadora é Nelsinho, rapaz que vaga pela cidade em busca de sexo e afeto. Ele é o célebre 
vampiro de Curitiba:
Ai, me dá vontade até de morrer. Veja só a boquinha dela como está pedindo beijo – beijo de virgem é mordida de taturana. Você grita vinte e quatro horas e desmaia feliz. É das que molham os lábios com a ponta da língua para ficar mais excitante (...). Se eu fosse me chegando perto, como quem não quer nada – ah, querida é apenas uma folha seca ao vento – e me encostasse bem devagar na safadinha...

RUBEM FONSECA (1925)
Obras principais: Os prisioneiros (contos - 1963); A coleira do cão (contos - 1965); Lúcia McCartney (contos - 1970); Feliz ano novo (contos -1975); O cobrador (contos -1980); A grande arte (romance - 1983); Buffo e Spalanzanni (romace -1985); Vastas emoções e pensamentos imperfeitos(romance -1988); Agosto (romance- 1990), Buraco na parede (contos –1993), Do meio do mundo prostituto, só amores guardei ao meu charuto(novela - 1997)
- Sua carreira iniciou-se pelo conto, gênero onde atinge o seu apogeu. 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
- Normalmente, suas histórias (em especial, os romances) são apresentadas sob a estrutura da narrativa policial. Há um crime ou um mistério a ser desvendado e vários dos personagenm principais ou são da polícia ou detetives particulares ou advogados criminalistas. 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
- Um dos temas dominantes de seus contos e romances é a violência que percorre as ruas brasileiras, numa espécie de guerra civil não declarada. 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
- O outro alvo de sua literatura é a solidão dos indivíduos nas grandes metrópoles. Quase todos os protagonistas são opressos pela sensação de isolamento. O contato amoroso com outros seres parece dar-se apenas no campo sexual. 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
- O que confere maior verossimilhança ainda a seus relatos são a técnica e a linguagem. O escritor sente-se à vontade nos textos em primeira pessoa, o narrador sendo ao mesmo tempo o protagonista. Mas para cada tipo social existe uma linguagem distinta. O assaltante tem seu código, o seu estilo, e assim o industrial, numa multiplicidade lingüística verdadeiramente assombrosa.


A CRÔNICA
- Gênero literário marcado por certa efemeridade, na medida em que registra a vida diária, os acontecimentos que são marcantes no dia-a-dia. 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
- Fernando Sabino definiu-a como a "busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um".
 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
- Apresenta um caráter jornalístico, desenvolvendo-se já no século XIX, com José de Alencar e Machado de Assis, sob o nome de
 folhetim (o mesmo do romance romântico em capítulos). 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
- Nas décadas de 1950 e 1960, a crônica atingiu sua culminância. Estes pequenos comentários a respeito das coisas banais ora assumem uma tendência mais terna e lírica, aproximando-se da poesia; ora centralizam-se na crítica humorística dos acontecimentos e dos costumes.

Crônica lírica
RUBEM BRAGA (1913-1990)
Obras principais: O conde e o passarinho(1936); Um pé de milho (1948);O homem rouco (1949); A borboleta amarela (1956); A cidade e a roça(1957); Ai de ti, Copacabana(1960).
- Registro da poesia oculta nos momentos mais triviais da vida diária 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
- Evocação de amores perdidos e do tempo que flui 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
- Celebração da beleza geográfica, humana e artística do Rio de Janeiro, ainda que com certa dimensão melancólica.


Crônica de Humor
Tradicional dentro do jornalismo brasileiro, a crônica de humor sempre teve larga aceitação. Poderia ser dividida (um pouco arbitrariamente) em crônica de humor leve - visando sobremodo o riso - e a crônica satírica, na qual o deboche atinge instituições ou figuras públicas. No primeiro grupo poderíamos destacar o nome de Fernando Sabino. No segundo, Lima Barreto foi um precursor genial e sarcástico, fulminando as elites intelectuais e burocráticas do Rio, na República Velha, através dos ferinos comentários de Bruzundangas (o Brasil).

Fernando Sabino (1923)
Obras principais: O homem nu (1960); A mulher do vizinho (1975).
- O humor jovial e divertido é a marca do cronista. Muitas de suas crônicas são pequenas histórias de final surpreendente, os que as aproxima do conto.
Não esqueça: Fernando Sabino tornou-se o romancista de toda uma geração ao escrever O encontro marcado (1956). Acompanhando a crise existencial, sexual e ideológica de três jovens em Belo Horizonte do pós-guerra, construiu um quadro simultaneamente inocente e dramático das esperanças, frustrações e vida cotidiana dos jovens de classe média.

Luís Fernando Verissimo (1936)
Obras principais: O popular; Ed Mort; O analista de Bagé; O gigolô das palavras (1986); Comédias da vida privada; Comédias para se ler na escola(2001)
- Criador de tipos risíveis que entram no anedotário brasileiro: o analista de Bagé, o fracassado detetive Ed Mort e a Velhinha de Taubaté.
- A consolidação do sucesso de público veio com a publicação das Comédias da vida privada. São crônicas de humor retratando as contradições amorosas, sexuais, espirituais, geracionais e econômicas das classes médias urbanas, com seus pequenos dramas existenciais que se prestam mais ao humor do que à tragédia humana.

XV O Teatro Contemporâneo

Nelson Rodrigues (1912-1981)
Principais peças:
O crítico Sábato Magaldi estabeleceu uma divisão temática das peças:
Peças psicológicas (Vestido de noiva - Viúva, porém honesta, etc.)
Peças míticas (Álbum de família - Senhora dos afogados)
Tragédias cariocas (A falecida - Beijo no asfalto - Os sete gatinhos -Boca de ouro - Toda a nudez será castigada, etc.)
- Segundo Magaldi: "As peças psicológicas abordam elementos míticos e da tragédia carioca. As peças míticas não esquecem o psicológico e nelas aflora a tragédia carioca. Já a tragédia carioca assimilou o mundo psicológico e mítico da obra rodrigueana."
Vestido de noiva
- Em 1943, a encenação de Vestido de noiva renovou por completo as bases formais e ideológicas do teatro brasileiro. 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
- Nesta obra, a linguagem de Nelson Rodrigues revelava uma dimensão coloquial sem precedentes. - O aspecto renovador reside conjuntamente no fato do autor tornar-se o cronista dos traumas morais e sexuais da família tradicional. Seus personagens mantém uma conduta de aparente normalidade, mas, nos desvãos da sociedade, cometem uma série de crimes, quase todos vinculados ao comportamento sexual.

A história se passa em três níveis:

.(realidade) Atropelada, uma jovem senhora, Alaíde, é operada num hospital. 
.(alucinação) A moribunda divaga, encontrando, em seu delírio, Madame Clessi, famosa prostituta do início do século, assassinada pelo amante adolescente, e de quem Alaíde, no plano real, tinha um diário de confidências. Nesta atração, condensam-se todos os desejos reprimidos de Alaíde, entediada de seu marido, Pedro. 
http://educaterra.terra.com.br/literatura/img/x.gif
.(memória) Revela-se, pouco a pouco, que Alaíde roubara Pedro de sua própria irmã, Lúcia. A consciência culpada leva-a imaginar cenas de traição entre Pedro e Lúcia. No final, Alaíde morre e Lúcia, após período de hesitação, resolve casar-se com Pedro.







MODERNISMO CONTEMPORÂNEO




POESIA
Nesta há duas constantes:
a) Uma reflexão cada vez mais acurada e crítica sobre a realidade e a busca de novas formas de expressão; mantêm nomes consagrados como João Cabral, Mário Quintana, Drummond no painel da literatura.
b) Afirmação de grupos que usavam técnicas inovadoras como: sonoridade das palavras, recursos gráficos, aproveitamento visual da página em branco, recortes, montagens e colagens.
As principais vanguardas poéticas prendem-se aos grupos:
Concretismo, Poema-Processo, Poesia-Social, Tropicalismo; Poesia-Social e Poesia-Marginal.
Concretismo
O concretismo foi idealizado e realizado pelos irmãos Haroldo e Augusto de Campos e por Décio Pignatari . Em 1952 esse movimento começou a ser divulgado através da revista "Noigrandes"("antídoto contra o tédio" em linguagem provençal), mas seu lançamento oficial aconteceu em 1956, com a Exposição Nacional da Arte Concreta em São Paulo. Suas propostas aparecem no Plano- Piloto da Poesia Concreta; assinado por seus inventores:
Poesia concreta: produto de uma evolução crítica de formas, dando por encerrado
o ciclo histórico do verso ( unidade rítmico- formal), a poesia concreta começa por tomar conhecimento do espaço gráfico como agente estrutural, espaço qualificado estrutura espácio- temporal, em vez de desenvolvimento meramente temporístico ¬linear, daí a importância da idéia do ideograma, desde o seu sentido geral de sintaxe espacial ou visual, até o seus sentido específico (fenollosa/pound) de método de compor baseado na justa posição direta -analógica não lógico¬discursiva - de elementos. (...). Poesia concreta: uma responsabilidade integral perante a linguagem, realismo total, contra uma poesia de expressão, subjetiva e hedonística. Criar problemas exatos e resolvê-los em termos de linguagem sensível um arte geral da palavra. o poema- produto: objeto útil (grifos nossos).
Vários poemas desse período não apresentam versos; "jogam" com a forma e o fundo, aproveitando o espaço gráfico em sua totalidade, "brincam" com o significado e o significante do signo lingüístico, rejeitam a idéia de lirismo e tratam de forma inusitada o tema. O poema é como um quadro, sem ligações com o universo subjetivo; esse "objeto" concreto é passível de manipulação e permite múltiplas leituras (de cima para baixo; da direita para a esquerda, em diagonal, etc.).
Como pode-se perceber, retomam procedimentos que remontam às vanguardas do início do século, tais como Cubismo e Futurismo. Seus recursos são os mais variados: experiências sonoras ( aliterações, paronomásias;; caracteres tipográficas variadas (formas e tamanhos); diagramação; criação de neologismos... O poeta é um artesão da civilização urbana, sintonizado com o seu tempo.

Poesia - Práxis
Em 1962, Mário Chamie lidera em grupo dissidente, contra o radicalismo dos "mais concretos" e instaura a poesia-práxis. Em sua obra Lavra-lavra faz uma espécie de manifesto:
"as palavras não são corpos inertes, imobilizados a partir de quem as profere e as usa... As palavras são corpos- vivos. Não vítimas passivas do contexto.
O autor práxis não escreve sobre temas, ele parte de "áreas"(seja uma fato externo ou emoção), procurando conhecer todos os significados e contradições possíveis e atuantes dessas áreas, através de elementos sensíveis que conferem a elas realidade e existência".
A poesia-práxis preocupou-se com a palavra- energia, que gera outras palavras - uma valorização do ato de compor. É o que se vê no poema Agiotagem, de Mário Chamie:
Agiotagem
um dois três
o juro: o prazo
o pôr/ o cento/ o mês/ o ágio porcentagio.
dez cem mil
o lucro: o dízimo
o ágio/ a moral/ a monta em péssimo empréstimo.
muito nada tudo a quebra: a sobra a monta/ o pé/ o cento/ a quota haja nota agiota.
Fragmento do Poema "LAVRADOR" (Mário Chamie)
LAVRA: Onde tendes pá, pé e o pó sermão da cria: tal terreiro
DOR: Onde tenho a pó, o pé e a pá quinhão da via: tal meu meio de plantar sem água e sombra.
LAVRA: Onde está o pó, tendes cãimbra;
Poema-código (ou semiótico) e Poema / Processo.
Em 1964, Décio Pignatari e Luiz Ângelo Pinto, lançaram a idéia do poema- código ou semiótico, predominantemente visual, incorporando outras linguagens (jornal, propaganda), montando um texto à maneira dadaísta.
Uma outra variante do Concretismo foi uma radicalização ainda maior - o poema - processo -, criação de Wladimir Dias Pino e Alvares de Sá, utilizando sobretudo signos visuais e dispensando o uso da palavra.
A poética da resistência: A poesia -social
Seu principal mentor é o maranhense Ferreira Gullar, que, em 1964, rompe com a poesia concreta e retoma o verso discursivo e temas de interesse social (guerra- fria, corrida atômica, neocapitalismo, terceiro mundismo), buscando maior comunicação com o leitor e servir como testemunha de uma época. Após o golpe militar e a AI-5, empreende uma verdadeira "poesia de resistência". ao lado de outros escritores, artistas e compositores (J.J. Veiga, Thiago de Mello, Affonso Romano de Sant'Ana, Antônio Callado, Gianfrancesco Guarnieri, Chico Buarque, Oduvaldo Viana Filho...).


Tropicalismo
O movimento musical popular chamado Tropicalismo originou-se, ainda na década de 60, nos festivais de M. P. B. realizados pela TV Record, que projetaram no cenário nacional, os jovens Caetano Veloso, Gilberto Gil, o grupo Os Mutantes e Tom Zé, apoiados em textos de Torquato Neto e Capinam e nos arranjos do maestro Rogério Duprat.
Com humor, irreverência, atitudes rebeldes e anarquistas os tropicalistas procuravam combater o nacionalismo ingênuo que dominava o cenário brasileiro, retomando o ideário e as propostas do Movimento Antropofágico de Oswald de Andrade. Dessa forma, propunham a devoração e de deglutição de todo e qualquer tipo de cultura, desde as guitarras elétricas dos Beatles até a Bossa Nova de João Gilberto e o "nordestinismo" de Luiz Gonzaga.
Características dos textos:
ironia e paródia, humor e fragmentação da realidade; enunciação de flashes cinematográficos aparentemente desconexos, ruptura com os padrões tradicionais da linguagem ( pontuação sintaxe etc.).
Suas influências foram fundamentais na música, mas repercutiram também na literatura e no teatro.
Com o AI-5, seus representantes foram perseguidos e exilados.
A partir daí, a linguagem artística ou se cala ou se metaforiza ou apela para meios não convencionais de divulgação.


A Poesia Marginal
Segundo a professora Samira Youssef Campedelli (M Literatura, História e Texto, 3, Saraiva) "a poesia desenvolvida sob a mira da polícia e da política nos anos 70 foi uma manifestação de denuncia e de protesto, uma explosão de literatura geradora de poemas espontâneos, mal-acabados, irônicos, coloquiais, que falam do mundo imediato do próprio poeta, zombam da cultura, escarnecem a própria literatura.
A profusão de grupos e movimentos poéticos, jogando para o ar padrões estéticos estabelecidos, mostra um poeta cujo perfil pode ser mais ou menos assim delineado ele é jovem, seu campo é a banalidade cotidiana, aparentemente não tem nem grandes paixões nem grandes imagens, faz questão de ser marginal". Experimentalismo, moralidade, ideologia e irreverência são algumas de suas características.
A divulgação dessa obra foge do "circuito tradicional": são textos fechados em muros; jornais, revistas e folhetos mimeografados ou impressos em gráficas de fundo de quintal e vendidas em mesas de restaurantes, portas de cinemas, teatros e centros culturais; happening e shows musicais; até uma "chuva de poesia" foi realizada no centro de São Paulo, da cobertura do edifício Itália, em 1980.
Ainda de acordo com a Professora Samira (opuscit, p.354) "Recupera-se alguns laços com a produção do primeiro Modernismo (1922) - poemas -minuto, poemas ¬piada; experimentaram-se técnicas como a colagem e a desmontagem dadaístas; praticaram-se formas consagradas, como o sonetos ou o haicai; tudo foi possível dentro do território livre da poesia marginal, como bem atestam os poemas de Paulo Leminsky, à moda grafite, com sabor de haicai:
NÃO DISCUTO COM O DESTINO O QUE PINTAR EU ASSINO
Representantes desse grupos: Wally Salomão, Cacaso,Capinam, Alice Ruiz, Charles, Chacal, Torquato Neto e Gilberto Gil (Marginalia e "Geléia Geral")
o céu não cai do céu
O céu não cai do céu, poema de Régis Bonvicino
Não é rara também a paródia, assim como a metalinguagem.
Enquanto os concretistas atribuem grande importância à construção do poema, os marginais preocupam-se sobretudo com a expressão, ora de fatos triviais, ora de seus sentimentos. Por isso, boa parte dessa poesia marca-se por um tom de conversa íntima, de confissão pessoal.

Outras Tendências
Alguns poetas não se filiam a nenhuma dessas tendências, ou constituindo obra pessoal ou seguindo novos caminhos, ainda muito novos e incertos para serem "catalogados"; ou retomando a linha criativa de poetas já consagrados, como Drummond, Murilo Mendes e João Cabral.
São eles: Adélia Prado,Manuel de Barros,José Paulo Paes,Cora Coralina; entre outros.

Prosa
Assim como na Poesia, na Prosa o período pós -moderno caracteriza-se por uma pluralidade de tendências e estilos.
A partir dos anos 70, vão -se quebrando limites entre os gêneros literários : romance e conto, conto e crônica, crônica e notícia; desdobram-se e acabam incorporando técnicas e linguagens, antes fora de seus domínios. Dessa forma, aparecem romances com ares de reportagens; contos parecidos com poemas em prosa ou com crônicas, autobiografias com lances romanescos narrativos que adquirem contornos de cena teatral; textos que se constroem por justaposição de cenas, reflexões, documentos ...

O Romance
O romance ora segue as linhas tradicionais, aprofundando-se e enriquecendo-as com novos temas; ora inova, criando novas nuances de prosa.
Há diversos tipos de romance
Romance regionalista:
Seguindo um caminho tradicional, iniciado desde o Romantismo, uma safra de bons escritores continua a retratar o homem no ambiente das zonas rurais, com seus problemas geográficos e sociais.
Ex:
Mário Palmério (Vila dos Confins, Chapadão do Bugre),José Cândido de Carvalho (O Coronel e o Lobisomem), Bernardo Élis (O tronco),Herberto Sales (Além dos Maribus), Antônio Callado (Quarup); entre outros.
Romance Intimista:
Na mesma linha de sondagem interior, de indagação dos problemas humanos, iniciada por Clarice Lispector, vários autores exploram o interior de personagens angustiadas, desnudando seus traumas, problemas psicológicos, religiosos, morais e metafísicos:
Ex:
Lygia Fagundes Telles (Ciranda de Pedra, As Meninas),Autran Dourado (Ópera dos Mortos, O Risco no Bordado),Osman Lins (O Fiel e a Pedra), Lya Luft (Reunião de Família ), Aníbal Machado (João Ternura), Fernando Sabino (O Encontro Marcado), Josué Montello (Os degraus do Paraíso), Chico Buarque (Estorvo); entre outros.

Romance urbano - social
Documenta os grandes centros urbanos com seus problemas específicos : a burguesia e o proletariado em constante luta pela ascensão social, luta de classes, violência urbana, solidão, angústia e marginalização.
Ex:
José Condé (Um Ramo para Luísa),Carlos Heitor Cony (O ventre), Antônio Olavo Pereira (Marcoré), Marcos Rey, Luís Vilela, Ricardo Ramos, Dalton Trevisan e Rubem Fonseca.
Romance político A censura calou, durante um tempo, as vozes dos meios de comunicação de massa fazendo com que o romance passasse a suprir essa lacuna, registrando o dia-a-dia da história, fazendo surgir novas modalidades de prosa:
a) paródia histórica. Ex: Márcio de Sousa (Galvez, o Imperador do Acre), Ariano Suassuna (A Pedra do Reino), João Ubaldo Ribeiro (Sargento Getúlio).
b) o romance reportagem, com emprego de linguagem jornalística e enredos com relatos de torturas, como veículo de denúncia e protesto contra a opressão.
Ex: Ignácio de Loyola Brandão (Zero, não Verás País Nenhum), Antônio Callado (Quarup, Reflexos do baile), Roberto Drummond (Sangue de Coca- Cola) e Rubem Fonseca (O Caso Morel).
c) o romance policial, com aspectos urbanos e políticos aparece na ficção de Marcelo Rubens Paiva (Bala na Agulha) e de Rubem Fonseca; este último, considerado o melhor nesse gênero, escreveu "A Grande Arte", "Bufo & Spallanzani" ,"Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos"dentre outros.
d) o romance histórico, que consegue fundir narrativa policial, fatos políticos e abordagem histórica tem grandes representantes como a obra "Agosto" de Rubem Fonseca, que retrata os acontecimento políticos que levaram Getúlio Vargas ao suicídio; "Boca do Inferno" de Ana Miranda que retrata a Bahia do século XVII e os envolvimentos políticos e amorosos de Gregório de Matos; Fernando Morais seguindo esta linha escreve "Olga", a história da esposa de Luís Carlos Prestes, entregue aos alemães nazistas pelo governo de Getúlio.
No Realismo Fantástico e no Surrealismo alguns escritores constroem metáforas que representam a situação do Brasil utilizando situações absurdas e assustadoras.
Ex:
Murilo Rubião é o pioneiro (O Pirotécnico Zacarias, O Ex-Mágico); J. J. Veiga (Sombras de Reis Barbudos, A Hora dos Ruminantes); Moacir Scliar (A Balada do Falso Messias, Carnaval dos Animais); Érico Veríssimo (Incidente em Antares).
Romance Memorialista e / ou autobiográfico
Essa tendência surge na ficção brasileira na década de 80, misturando autobiografia, relatos de viagens memoriais e reflexões de intelectuais que viveram no exílio ou foram testemunhas das atrocidades cometidas pelo regime militar.
Ex: Pedro Nava (Baú de Ossos),Érico Veríssimo (Solo de Clarineta I e II), Fernado Gabeira(O que é isso Companheiro? e O Crepúsculo do Macho), Marcelo Rubens Paiva (Feliz Ano Velho).
Romances experimentais e metalingüísticos
Desenvolvem novas técnicas de narrativa e trabalho linguístico que apresentam estrutura fragmentária.
Ex:
Osman Lins (Avalovara), Ignácio de Loyola Brandão (Zero), Ivan Ângelo (A Festa),Antônio Callado (Reflexos do Baile).
O Conto e a Crônica
A partir dos anos 70, houve uma verdadeira explosão editorial do conto e da crônica, por serem narrativas curtas, condensadas e atenderem à necessidade de rapidez do mundo moderno. Novas dimensões foram introduzidas no conto tradicional : subversão da seqüência narrativa, interiorizarão do relato, colagem de flashes e imagens, fusão entre poesia e prosa, evocação de estados emocionais.
A crônica, texto ligeiro, de interpretação imediata, com flagrantes do cotidiano, também passou a agradar o leitor tornando-se popular.
Autores que se destacam nesses dois gêneros:

Contos:
Lygia F. Telles,Osmar Lins, Murilo Rubião,Autran Dourado, Homero Homem, Moacyr Scliar, Oto Lara Resende,Dalton Trevisan,J. J. Veiga,Nélida Pinon, Rubem Fonseca, João Antônio,Domingos Pelegrim Jr,Ricardo Ramos, Marina Colasanti,Luís Vilela,Marcelo Rubens Paiva, Ivan Ângelo e Hilda Hilst.


Crônica:
Rubem Braga,Vinícius de Moraes, Paulo Mendes Campos, Raquel de Queiroz,Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Álvaro Moreira,Sérgio Porto (Stanislau Ponte Preta), Lourenço Diaféria, Luís Fernando Veríssimo eJoão Ubaldo Ribeiro.