terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Vicente do Rego Monteiro - É um precursor dos ideais da Semana de 22 propostos por Mário de Andrade - desde 1920 sua pintura tem linguagem contemporânea, além de elementos resultantes da pesquisa da temática indígena brasileira. Seus quadros utilizam imagens mitológicas, de conteúdo mágico ou sagrado, que misturam-se com tradições da arte pernambucana, barroca, marajoara, além de apresentarem forte influência do cubismo da Escola de Paris. Nascido no Recife, aos 9 anos vai para o Rio de Janeiro, onde, incentivado pela mãe e por seus irmãos, todos com inclinações artísticas - José, arquiteto, Débora, escritora e Fédora e Joaquim, pintores - passa a frequentar a Escola Nacional de Belas Artes. Em 1911, toda a família vai a Paris, onde Vicente frequenta as academias Julian, Colarossi e Grande Chaumiére, e passa a sentir a influência das vanguardas sobre a sua obra, através do contato com Modigliani, Léger, Braque, Miró, Gleizes e Metzinger, entre outros. Em 13 expõe pela primeira vez no Salon des Indépendants e, no ano seguinte, em virtude da guerra, retorna ao Brasil. Neste período, trabalha intensamente como escultor, realizando diversos bustos, sem deixar de lado o desenho e a aquarela - responsáveis, na exposição de 1920, pelo seu contato com Anita Malfatti, Brecheret, Di Cavalcanti, impressionados com sua temática inspirada nas lendas amazônicas. Rego Monteiro em sua exposição no Teatro Trianon, Rio de Janeiro, 1921, foto do livro Vicente do Rego Monteiro, artista e poeta, 1899-1970, de Walter Zanini, p. 86 Em 21, retorna a Paris, deixando dez obras para serem expostas na Semana de Arte Moderna, no ano seguinte. Durante sua estada na Europa, impressiona-se com as coleções de arte egípcia, assíria e renascentistas e com os expressionistas na Alemanha. Neste período, em que era considerado o pintor estrangeiro mais prestigiado na capital francesa, são publicados diversos livros com ilustrações suas, entre eles Lendas, Crenças e Talismãs dos Índios da Amazônia, e Vicente produz e expõe intensamente. Em 30, recusa o convite de Oswald de Andrade para participar do movimento antropofágico alegando ser um predecessor das tendências nativistas no Brasil. Neste mesmo ano, é um dos responsáveis pela exposição A Escola de Paris, que passou por Recife, Rio e São Paulo e mostrou pela primeira vez obras de Picasso, Lhote, Léger, entre outros, ao público brasileiro. No ano seguinte, retorna ao Brasil e, em 38, assume o cargo de diretor da Imprensa Oficial do Estado e de professor de desenho no Ginásio Pernambucana, onde permanece até 46. De ideais monarquistas e nacionalistas, colabora com revistas seguidoras destas tendências, até fundar Renovação, onde ameniza sua posição política em pró da abertura a novos artistas, como João Cabral de Melo Neto. Em 46 retorna a Paris, onde funda a editora La Presse à Bras, passando a dedicar-se quase que exclusivamente à poesia. Ao retornar ao Brasil, em 57, é contratado pela Escola de Belas Artes da Universidade de Pernambuco. Apesar do descaso que merecem suas poesias no ambiente brasileiro, em 60 recebe o Prêmio Gillaume Apollinaire, em Paris. Neste período realiza pinturas de tendências abstrato-informal, mas sempre retornando à temática regionalista dos anos 20. Artista múltiplo, Vicente do Rego Monteiro foi na prática um dos precursores do Modernismo Brasileiro, dando atenção aos temas nacionais sem seguir prerrogativas e sim seu próprio instinto. Foi responsável pela divulgação dos ideais das Vanguardas no Brasil, no setido em que pode colocar muitos artistas que não tinham condições de ir a Europa em contato com as obras dos grandes artistas da época.
DI CAVALCANTI - Autodidata e pioneiro da arte moderna no Brasil, tem um lugar importante na nossa pintura. Seus primeiros trabalhos são influenciados por Aubrey Beardsley e pelo Art Noveau. Publica sua primeira caricatura em 1914, no Rio de Janeiro, e transfere-se para São Paulo, a fim de dar continuidade ao curso de Direito. Em 1918, freqüenta o ateliê do pintor impressionista Georges Elpons e continua produzindo caricaturas para várias revistas, sob o pseudônimo de "Urbano". Liga-se ao grupo de jovens intelectuais e artistas entre os quais figuram Oswald de Andrade, Paulo Prado, Guilherme de Almeida, Anita Malfatti, entre outros. Começa a pintar em 1920 e, já em 1921, pleiteia a exposição que resulta na Semana de Arte Moderna, sendo o seu idealizador - toma como modelo o Festival de Deauville, na França -, assim como é o autor do projeto gráfico do catálogo e programa. Em 1923, viaja a Paris, onde permanece até as vésperas da II Guerra Mundial. Sua vida e obra formam uma espécie de antologia da vida artística carioca, estando entre os anos 20 e 40 as melhores fases de sua produção. Tanto o Cubismo e o Muralismo Mexicano, quanto uma certa pintura onírica e sensual, marcam seu trabalho: solta seu traço como quem sonha, psicografa suas fantasias eróticas, sempre fiel ao gesto inesperado, em estado puro, instantâneo. Analista do Rio de Janeiro noturno, satirizador odioso e pragmatista das taras sociais da época, amoroso cantador das festas, como pintor do social, opera com o popular e tem uma inocência pré-contemporânea. Afirma: "meu modernismo coloria-se do anarquismo cultural brasileiro". Em sua obra, o desenho antecede à pintura e o traço à cor, enquanto expressividade; a busca de luz e do colorido aproximam sua pintura do barroco, na medida em que mostra o empenho de situar o homem e a vida em círculos dionisíacos. Usa tons quentes, linhas sintéticas e formas livres; retrata, acima de tudo, a mulher brasileira, especialmente a mulata, dando-lhe a dignidade das madonas renascentistas.
LASAR SEGALL - Artista completo, Lasar Segall experimentou todas as formas de expressão de sua época. Pintor, desenhista, gravador e escultor, foi um mestre do Expressionismo e um dos introdutores do Modernismo no Brasil, vindo a ser um símbolo para toda uma geração. Nascido em Vilna, capital da Lituânia, na época sob o domínio do Império russo, foi discípulo de Antokolski, um dos mais importantes escultores russos do século XIX. Com 15 anos, porém, instala-se em Berlim e freqüenta a rigorosa Academia Imperial de Belas Artes de Berlim, de onde seria afastado em 1909 por expor na Freie Sezession ( Secessão Livre ), onde ganhou o prêmio Max Lieberman em um período no qual sua obra esteve fortemente influenciada pelo impressionismo. A partir daí se transfere para Dresden, onde passa a freqüentar a Academia de Belas Artes como aluno-mestre, desfrutando de total liberdade de criação. É também aí que acontece sua primeira exposição individual. Em 1913, Segall vem pela primeira vez ao Brasil, expondo em São Paulo e Campinas, onde percebe-se já em sua obra uma forte influência do expressionismo do grupo Die Brücke ( A Ponte ), de Dresden. No ano seguinte Segall seria internado em um campo de concentração, experiência que iria representar mais tarde em suas obras inspiradas pela Segunda Guerra. No início dos anos 20 Lasar Segall instala-se definitivamente no Brasil, naturalizando-se depois de casar com Jenny Klabin, em 1925. A partir daí passa a ser uma das peças centrais do Modernismo, atuando como um contraponto alemão às influências francesas. E neste período que começam a surgir temas brasileiros em sua obra, e as formas passam a ganhar contornos menos angulosos e tensos - mas sem perder a característica expressionista. Mário de Andrade chamou este período de 'fase da contemplação'. As personagens são agora mulatas, negros, marinheiros e prostitutas. Tem grande atuação sob a vida cultural paulista neste momento, fundando a Sociedade Paulista de Arte Moderna ( SPAM ), em 1932. Era amigo e conselheiro de algumas das figuras mais importantes do Modernismo, como Mario de Andrade, Geraldo Ferraz e Gregori Warchavchik - que projetou a casa onde Segall viveu até sua morte. Além disso, passa a dar aulas e irá influenciar toda uma geração de gravadores brasileiros. Com a aproximação da Guerra, porém, seu trabalho retorna aos temas trágicos. Lasar Segall dizia que a obra devia ser despida de requintes estilísticos se quisesse expressar o sofrimento humano de maneira profunda, e é isso que podemos ver nas séries como Navio de Emigrantes e Pogrom. No final de sua vida volta aos temas brasileiros, pintando as séries 'Erradias' e 'Florestas'. Em 1951 tem lugar uma grande retrospectiva no MASP, seguida de salas especiais nas I e III Bienais de São Paulo e uma sala póstuma na IV, que foram as primeiras de uma série de exposições que resultariam, mais tarde, na criação do Museu Lasar Segall, instalado na casa em que viveu, no bairro da Vila Mariana.
VICTOR BRECHERET - O escultor Victor Brecheret tem um papel diferenciado e fundamental no Modernismo Brasileiro: junto com Anita Malfatti e Lasar Segall, é figura importante do período 'heróico', constituindo os antecedentes da Semana de 22, que se caracterizam pelos acontecimentos mais importantes na formação inicial do grupo modernista. Além disso, se destaca nos anos 20 e 30 como artista da escola de Paris e nas décadas de 40 e 50 no cenário artístico de São Paulo, com monumen-tos públicos, funerários e decorativos de fachadas, como o 'Monumento às Bandeiras', hoje um dos símbolos da cidade. Diferente dos artistas do nosso modernismo, Brecheret é de origem humilde. Imi-grante italiano, órfão de mãe, vem a São Paulo com seus tios maternos. Trabalha em uma loja de calçados durante o dia e, à noite, faz cursos no Liceu de Artes e Ofícios. Com economias, em 1913 seus tios o mandam para Roma, mas dada a sua falta de formação, não é aceito na Academia de Belas Artes. Entretanto, é recebido como discípulo de Arturo Dazzi, o mais famoso escultor italiano do momento, aprendendo com este as técnicas da modelagem, além de conhecimento de anatomia. Nesta época, recebe grande influência do escultor sérvio Ivan Mestrovic quanto à expressividade, tensão, alongamento e torsões das figuras. De 1916 a 1919 participa com destaque em mostras coletivas em Roma. Em 20 retorna a São Paulo e é descoberto pelos jovens modernistas que extasiados diante de suas esculturas, o convertem em elemento polarizador do grupo. De fato, o artista e sua obra inspiram personagens de romances de Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia. Ainda traduz para escultura os poemas de Guilherme de Almeida e Menotti. A sua escultura 'Cristo de Trancinhas', adquirida por Mario de Andrade, é o elemento desencadeador dos seus primeiros versos modernistas de Paulicéia Desvairada. Celebrado como um gênio e influenciado pelo espírito nativista do grupo, realiza a primeira maquete do 'Monumento as Bandeiras'. Em 1921, com uma bolsa de estudos de cinco anos, vai a Paris. Esta estadia se estende por quase quinze anos, com vindas esporádicas ao Brasil para expor seus trabalhos. Em Paris participa de vários salões, convivendo intensamente com artistas como Fernand Léger, Picasso, Archipenko, além de brasileiros como Anita, Tarsila do Amaral, Vicente do Rego Monteiro e Antônio Gomide - seu vizinho de ateliê. Como a maioria dos artistas da Escola de Paris, Brecheret está sensível à emergência do Art Déco que marcou a visualidade a partir de 1925 - com a Expo-sição Internacional das Artes Decorativas e Industriais Modernas. Alinhado a esta arte de vanguarda, modifica sua escultura, adotando formas geometrizadas, lisas e luminosas, sendo bastante elogiado pela crítica. Torna-se um importante artista da Escola de Paris, tendo recebido o título de cavaleiro da legião de honra, e sua obra, 'Grupo', de 1932, é adquirida pelo Museu Jeu de Paume - obra que irá desaparecer durante a Segunda Guerrra. Cabeça de Cristo (Cristo de Trancinhas), 1920, coleção IEB-USP Nos anos 30, participa intensamente da vida artística no Brasil, como sócio fundador da SPAM - Sociedade Pró Arte Moderna e nos Salões de Maio ( 37, 38 e 39 ), quando já havia voltado definitivamente para São Paulo para realizar o 'Monumento às Bandeiras'. Na década de 40, ganha o concurso de outro monumento público, em homenagem à Duque de Caxias. Nesta época introduz elementos brasileiros em sua obra, interessado na arte indígena. As peças escultóricas aproximam-se da abstração, formas essenciais, primitivas, com um torneado rústico, caracterizando a fase de maturidade do artista - esculturas quase abstratas em suas deformações e encadeamento orgânico de volumes. Foi consagrado o melhor escultor nacional na I Bienal de São Paulo, em 51 e, após a sua morte em 55, a IV Bienal dedicou-lhe sala especial
ANTECEDENTES DA SEMANA DE ARTE MODERNA - Para se entender o processo do movimento modernista brasileiro é necessário olhar para o contexto das duas primeiras décadas do século: ainda muito presos ao academicismo e às influências francesas da belle époque, alguns jovens de São Paulo, intelectuais e artistas começam a sentir a necessidade de uma atualização das artes, ao mesmo tempo que uma busca de identidade nacional, através do retorno às raízes culturais do país. Estes anseios de modernização e de nacionalismo são desencadeados pela Primeira Guerra e pela proximidade dos festejos do primeiro centenário da Independência. As informações fragmentadas sobre as vanguardas vindas da Europa vão confluir com esta necessidade de renovação. Alguns eventos e exposições marcam este período e antecedem a eclosão do Modernismo Brasileiro, na Semana de Arte Moderna de 1922. A exposição de Lasar Segall, em 1913, apesar de não causar muita repercussão, vai sinalizar contatos com as vanguardas alemãs. Entretanto, será a exposição de Anita Malfatti, em 1917, que instiga os artistas e jovens intelectuais a se organizar como grupo e promover a arte moderna nacional, que terá lugar em São Paulo, embalado pelo progresso e industrialização acelerada, contando ainda com a presença maciça de imigrantes italianos- o que acaba facilitando a ausência de uma tradição burguesa e conservadora como a existente no Rio de Janeiro. Em 1920, o grupo de jovens paulistas, já denominados futuristas descobrem Victor Brecheret, recém chegado de Roma. Sua escultura pós-Rodin, as estilização das figuras monumentais e o vigor e expressividade das tensões musculares, alongamentos e torções das esculturas causam grande impacto e, de imediato, o grupo polariza-se em torno do escultor. A partir daí sentiu-se a necessidade de um evento de magnitude e acompanhado de escândalo que marcasse estas novas direções da arte, trazidas pelos incidentes com Anita e pelo ingresso de Brecheret ao grupo - este evento será a Semana de Arte Moderna de 22.
ANITA MALFATTI - A pintura de Anita Malfatti foi o estopim da vanguarda do modernismo brasileiro. Já em 1917, cinco anos antes da Semana de Arte Moderna, uma mostra com 53 de seus mais arrojados trabalhos chocaram a provinciana e acadêmica São Paulo. Bengaladas, risos, devoluções de obras e bilhetinhos ofensivos. A causa? "Paranóia ou mistificação?", um cruel artigo de Monteiro Lobato comparava o trabalho de Anita "aos desenhos dos internos dos manicômios". Em torno dela, começa então a arregimentação de jovens poetas e artistas inconformados com a forma como estavam as coisas, culminando com a Semana de Arte Moderna de 1922 - na qual a participação de Anita volta a escandalizar. Nascida na São Paulo de 1889, Anita era filha de pai italiano católico e mãe americana, de ascendência alemã protestante. Um defeito congênito a tornou uma falsa canhota; trazia sempre um lenço colorido cobrindo a mão direita deformada. Essa limitação foi marcante para sua personalidade e características emocionais. Criança, uma vez se deitou numa vala por onde passou um trem só para perder o medo; de olhos fechados, tudo o que vê são cores. Acontece a revelação de seu destino: quer ser pintora. Mais tarde vai experimentar voluntariamente a fome, a cegueira e a sede, buscando na sensação física a "superação do eu". Era expressionista antes de saber o que significava o termo. Em 1912 fixa-se em Berlim, onde estuda com Lovis Corinth, artista que trabalha com valores cromáticos do impressionismo, com pinceladas vibrantes que o aproximam dos expressionistas, apesar de discordar deles. Em 1915/16 Anita está em Nova Iorque, inscrita na Art Students League, onde só mantém um interesse duradouro: aulas de gravura. É quando ela acha a escola que tanto desejava encontrar na vida, a Independent School of Art, cujo professor, Homer Boss, é um pintor-filósofo de tendência realista. Absorve de cada pintor, de cada escola - fauvismo, sincronismo ou cubismo - só as características necessárias para montar sua própria linguagem. Em 1917, de volta a São Paulo, inaugura a disputa entre arte acadêmica e arte moderna. "Não houve preocupação de glória, nem de fortuna, nem de oportunidades proveitosas. Quando viram minhas telas todas, acharam-nas feias, dantescas, e todos ficaram tristes, não eram os santinhos do colégio." Após a exposição de 1917, vive um clima de sofrimento; até o tio que financiou seus estudos no exterior quis destruir uma das telas a bengaladas. Heroína, lutou contra todos, tendo a seu lado apenas um fiel defensor e sua paixão nem tão secreta assim: Mário de Andrade, que morreu 19 anos antes de Anita, sem nunca dar a definição amorosa que ela tanto queria. Após a Semana de 22, apresenta Tarsila do Amaral aos modernistas Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia; formam o "grupo dos cinco" e estão constantemente juntos. Em 1923, ganha o Pensionato Artístico do Estado de São Paulo e vai para Paris, onde encontraria com Tarsila e Oswald, Victor Brecheret, Paulo Prado e Di Cavalcanti. Anita vive então uma transformação profunda, perde o impulso marcante do expressionismo, deixa de lado o uso de cores violentas e artificiais e começa a representar o mundo de forma mais simples. Volta para São Paulo em 1928, reencontra os modernistas e participa das últimas manifestações do grupo. Nos anos 30, grandes dificuldades econômicas a obrigam a dedicar-se cada vez mais ao ensino da pintura e do desenho, e à pintura decorativa. Mas é no retrato, agora sem deformações, que deixa sua contribuição mais permanente. Aproxima-se da Família Artística Paulista, participando de todas as coletivas do grupo. Os amigos cobrariam o fato de Anita não ter seguido Tarsila no movimento Pau-Brasil. Nos anos 40, Anita visita Belo Horizonte e cidades históricas mineiras. O que ela passa a expor então, são as festas, as procissões, ainda ao lado de retratos e flores, que vão ficando raros. Nos anos 50 - até sua morte, em 1964 - vive muito distante das polêmicas artísticas, recolhida em seu sítio. Segundo suas próprias palavras "Tomei a liberdade de pintar a meu modo." A pintura de Anita parece estar em um eterno descompasso com sua cidade. A São Paulo cosmopolita irá se constranger ao observar as telas toscas, adocicadas e falsamente ingênuas que Anita passa a produzir após a primeira fase modernista. A artista que pintou obras como "O homem amarelo", "A Boba" e "Mulher de Cabelos Verdes", não quer mais ser vanguarda, nem acadêmica. Ela quer uma pintura simples, facilmente compreendida por todos e que dificilmente será aceita por seus colegas de aventura do modernismo. Malfatti em Veneza, Itália, em foto do acervo MAC-USP, sem crédito. Anita Malfatti (sentada) com alunas em seu atelier
Tarsila do Amaral - O crítico de arte Jacob Klintowitz foi preciso ao afirmar que Tarsila do Amaral tornou-se o símbolo de um acontecimento do qual esteve ausente: a Semana de Arte Moderna. Tarsila, espírito inquieto, despontou à margem da Semana, integrando-se ao ideário modernista tempos depois, primeiro com obras de influências nitidamente cubistas e mais tarde com as estranhas figuras da chamada fase antropofágica. Suas ligações com a arte européia, em todos esses momentos, são fortíssimas, mas Tarsila conseguiu, apesar disso, incorporar um espírito de encantadora brasilidade ao seu trabalho. Tarsila do Amaral nasceu em 1886, na Fazenda São Bernardo, em Capivari (SP). De família rica, teve uma infância paradoxal: moradora de fazenda, crescendo entre bichos e plantas, vivia simultaneamente um cotidiano de menina rica: tudo o que sua família usava - roupas e utensílios – vinha diretamente da Europa. Cresceu aristocrática em meio a paisagens simples e gente humilde. Seu amor à arte iniciou com a família, em saraus domésticos em que a mãe tocava piano e o pai lia poemas em francês. Aos 16 anos foi estudar em Barcelona, na Espanha, onde literatura e desenhos passaram a fazer parte de sua vida. Voltou para o Brasil em 1906, a fim de casar-se com o marido que sua família escolhera. União que se revelou infeliz dada a diferença cultural gritante entre os cônjuges. Do casamento fracassado – mais tarde anulado - teve uma filha: Dulce. A essa altura, uma decidida Tarsila já emergira e agora se esforçava para seguir a vocação para a pintura. No início de seus estudos artísticos, com os escultores Zadig e Mantovani, e com o pintor Pedro Alexandrino, não havia ainda os sinais do que ela viria a ser. Eram somente naturezas mortas e paisagens, ainda muito distantes de seu surto criativo em outros momentos. Depois disso fez uma rápida passagem entre os impressionistas e em 1920 seguiu para a França, onde freqüentou a Academia Julian, e o atelier do retratista Émile Renard. Algumas de suas pinturas desse período apontam influências de Renard, então um artista da moda: tons de cor desmaiados, com predomínio do azul. Esses também muito distantes da arte que ela viria a construir, mas já se pode verificar nessas telas a promessa do que viria futuramente sob as formas simplificadas e a iluminação particular. Em 1922, Tarsila se considerava vitoriosa: estava expondo no Salão dos Artistas Franceses, em Paris. É o ano em que pintará A Espanhola (Paquita), mas ainda não ousava altos e novos vôos estéticos. Retorna ao Brasil no Massilia, navio de luxo, quatro meses depois da efervescência da Semana de Arte Moderna. A amiga e também pintora Anita Malfatti a apresenta a amigos intelectuais vanguardistas e que participam da Revista Klaxon: Oswald, Mário, Menotti Del Picchia, Sérgio Buarque de Holanda, Graça Aranha. Devidamente identificada com o ideário modernista, envolve-se afetiva e artisticamente com os novos amigos. Sua beleza física impressionava a todos nos salões elegantes e nos círculos intelectuais. Com Oswald, Menotti, Mário de Andrade e Anita Malfatti, compõe o chamado Grupo dos Cinco, que teve vida curta. No final de 1922 ela decide voltar para Paris, mas havia um Oswald no meio do caminho. Esse homem impetuoso, apaixonado e um mestre da ousadia a seguiu pela Europa e teve com ela mais que um casamento. Fizeram uma parceria intelectual poderosa em que um alimentava a arte do outro. Em 1923, Tarsila passa a travar contato com mestres cubistas, entre eles Picasso, Fernand Léger e André Lothe. De Léger guardará influências que serão visíveis em muitos dos seus trabalhos. Nesse período conhece artistas do porte de De Chirico, Stravinsky, André Breton e Blaise Cendrars. Suas telas estão nitidamente cubistas, mas impregnadas de uma brasilidade que se manifesta sobretudo nas cores, que Carlos Drummond tão bem definiu: “O amarelo vivo, o rosa violáceo, o azul pureza, o verde cantante”. Em 1924, depois de uma viagem feita com Oswald e Blaise Cendrars às cidades históricas de Minas Gerais, atirou-se a uma pintura que Sérgio Milliet definiria assim: “Cores ditas caipiras, rosas e azuis, as flores de baú, a estilização geométrica das frutas e plantas tropicais, dos caboclos e negros, da melancolia das cidadezinhas, tudo isso enquadrado na solidez da construção cubista”. É a fase Pau-Brasil registrando cidades, paisagens e tipos comoventemente brasileiros. Em 1928, há dois anos casada com Oswald de Andrade, a união Tarsiwald produz ousadias. Ela decide dar ao marido um inusitado presente de aniversário: pintar um quadro “que assustasse o Oswald, uma coisa que ele não esperasse”. Nasce então o Abaporu, figura monstruosa de cabeça pequena, braço fino e pernas enormes, tendo ao lado um cactus cuja flor dá a impressão de ser um sol. Ao ver tal imagem, Oswald realmente se assusta. Acha a composição extraordinária, selvagem: “Uma coisa do mato”. O poeta Raul Bopp, chamado a ver a proeza, concorda com a avaliação. Tarsila foi na esteira e resolveu dar um nome também selvagem ao quadro: Abaporu, palavra encontrada no Dicionário de Tupi-Guarany de Montoya, e que em língua indígena significa “antropófago; homem que come carne humana”. A partir dessa obra – até hoje a mais valiosa da arte brasileira e atualmente fazendo parte da coleção do argentino Eduardo Constantini - se constitui a fase dita por isso mesmo antropofágica de Tarsila. Oswald elabora o Movimento Antropofágico, com direito a manifesto e à Revista de Antropofagia. A pintura de Tarsila cresce. As formas volumosas, as cores exuberantes, um quê de Brasil autêntico desafiando tudo o que se via na pintura de então. 1929 foi um ano trágico. Afetiva e socialmente. O crash da Bolsa de Nova York resultou na perda de sua fazenda. E o casamento com Oswald – notório mulherengo – também acabou-se. A última fase artística de Tarsila resultou de sua viagem à União Soviética em 1931. Voltou marcada pelo que observou, em especial o drama operário e a miséria das multidões. Ë nessa época que surgem obras-primas como Operários e 2a Classe. Fase de alto engajamento, em que chegou a ser presa por causa de suas idéias políticas. Os quadros de sua chamada fase social registram dores imensas, estampadas em figuras miseráveis, injustiçadas. Opressão, desigualdade e rostos desarvorados invadem suas telas. Depois disso, Tarsila não mais inaugurou novas experiências: limitou-se a revisitar as fases anteriores, concentrando-se em temas como folclore e religião Sua última grande obra — o mural Procissão do Santíssimo em São Paulo no Século XVIII, é de 1954. Morreu a 17 de janeiro de 1973, aos 86 anos deixando pouco mais de duas centenas de quadros, alguns desenhos e esculturas. É relativamente pouco, mas fundamental para uma busca que prossegue até hoje: a consolidação de uma pintura nacional. Uma das primeiras artistas brasileiras a adotar tendências modernistas em seu trabalho, Tarsila, ainda que não tenha participado efetivamente da Semana de Arte Moderna de São Paulo, foi responsável pela criação de uma nova linguagem para a pintura brasileira. Segundo Mário de Andrade, podemos afirmar que, da história da nossa pintura, Tarsila foi a primeira que conseguiu realizar uma obra de realidade nacional, já que é a inspiração de seus trabalho que versa temas nacionais. Filha de fazendeiro rico, no auge da aristocracia rural paulista, Tarsila, seguindo os costumes da época, recebeu uma educação reservada à classe alta - professores em casa, na infância, passada no meio rural, depois em escolas de freiras na Espanha, onde recebeu como parte da educação feminina aulas de música e de desenho. Por ter revelado, desde menina, talento e aptidão para o desenho, decide, após o término de seu primeiro e breve casamento, ir para São Paulo, no ano de 1917, estudar pintura com o acadêmico Pedro Alexandrino, e com o alemão Georg F. Elpons. Com o objetivo de dar continuidade a sua formação vai para Paris estudar na Academia Julian, em 1921 e 1922. De volta a São Paulo, logo após os eventos da Semana de 22, ao ser apresentada, por Anita Malfatti, aos modernistas paulistas: Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia, Tarsila passa a integrar, de imediato, o então 'Grupo dos 5'; e que se dissolveria logo a seguir, com a ida de Tarsila e Oswald de Andrade, a Paris, no ano de 1923. Quando, Tarsila, já convertida aos ideais dos modernistas - atualização da linguagem plástica e pesquisa das raízes nacionais -, passaria a frequentar os ateliês dos grandes mestres cubistas, André Lhote, Albert Gleizes e Fernand Léger. Percebendo que a vertente nativista era muito bem-vinda naquele momento, Tarsila - que neste mesmo ano de 1923 escrevia a Mário de Andrade, expressando-lhe seu desejo de ser a pintora de sua terra - , buscou disciplinadamente instrumentar-se com os procedimentos compositivos do cubismo; mas, não de um cubismo epigonal, senão um cubismo saboroso, deglutido e devolvido em termos pictóricos brasileiros. No anseio da projeção do nacional, a artista redescobriria em adulta a paisagem dos seus olhos de criança, na viagem que realiza, em 1924, para as cidades históricas do ciclo do ouro de Minas Gerais e para o Rio de Janeiro, com alguns modernistas e com o poeta Blaise Cendrars. Aliás, esta devoção pela paisagem de sua infância, fruto de sua intimidade com a natureza fantástica, revela-se tanto em sua fase Pau-Brasil (1924), com na Antropofágica (1928).
OBRAS DE ARTE DE TARSILA DO AMARAL
Chapeu Azul
Chapéu Azul - Esta tela foi realizada depois de Tarsila frequentar o ateliê de Emile Renard. As telas dessa época possuem uma grande suavidade e uma atmosfera lírica.


Auto-retrato
Auto-retrato ou Manteau Rouge - Em Paris, Tarsila foi a um jantar em homenagem a Santos Dumont com esta maravilhosa capa (Manteau Rouge, em francês, significa casaco, manto vermelho). Além de linda, usava roupas muito elegantes e exóticas, e sua presença era marcante em todos os lugares que freqüentava. Depois desse jantar, pintou este maravilhoso auto-retrato.


A Negra
A Negra - Esta tela foi pintada por Tarsila em Paris, enquanto tomava aulas com Fernand Léger. A tela o impressionou tanto que ele a mostrou para todos os seus alunos, dizendo que se tratava de um trabalho excepcional. Em A Negra temos elementos cubistas no fundo da tela e ela também é considerada antecessora da Antropofagia na pintura de Tarsila. Essa negra de seios grandes, fez parte da infância de Tarsila, pois seu pai era um grande fazendeiro, e as negras, geralmente filhas de escravos, eram as amas-secas, espécies de babás que cuidavam das crianças.


EFCB
EFCB (Estação de Ferro Central do Brasil) - Este quadro foi pintado depois da viagem a Minas Gerais com o grupo modernista. Foi então que Tarsila começou a pintura intitulada Pau-Brasil, com temas e cores bem brasileiros. Esta tela foi pintada para participar da exposição-conferência sobre modernismo do poeta Blaise Cendrars realizada em São Paulo, em junho de 1924.


Carnaval em Madureira
Carnaval em Madureira - Tarsila veio de Paris e passou o carnaval de 1924 no Rio de Janeiro. É curioso ver que ela colocou a famosa Torre Eiffel no meio da favela carioca.


A Cuca
A Cuca - Tarsila pintou este quadro no começo de 1924 e escreveu à sua filha dizendo que estava fazendo uns quadros "bem brasileiros", e a descreveu como "um bicho esquisito, no meio do mato, com um sapo, um tatu, e outro bicho inventado". Este quadro é também considerado um prenúncio da Antropofagia na obra de Tarsila e foi doado por ela ao Museu de Grenoble na França.


O Pescador
O Pescador - Este quadro tem um colorido excepcional e trata de um tema bem brasileiro: um pescador num lago em meio a uma pequena vila com casinhas e vegetação típica. Este quadro foi exposto em Moscou, na Rússia em 1931 e foi comprado pelo governo russo.



Religião Brasileira
Religião Brasileira - Certa vez Tarsila chegou de viagem da Europa, desembarcou no porto de Santos e foi comprar doces caseiros em uma casinha bem simples de pescadores. Ao entrar observou um pequeno altar com vários santinhos, enfeitados por vasinhos e flores de papel crepom. Achou aquilo tão pitoresco e pintou esta maravilhosa tela.


Manacá
Manacá - Linda tela, com um colorido forte. Esta flor é representada por Tarsila de uma maneira particular, bem típica da obra dela.


Abaporu
Abaporu - Este é o quadro mais importante já produzido no Brasil. Tarsila pintou um quadro para dar de presente para o escritor Oswald de Andrade, seu marido na época. Quando viu a tela, assustou-se e chamou seu amigo, o também escritor Raul Bopp. Ficaram olhando aquela figura estranha e acharam que ela representava algo de excepcional. Tarsila lembrou-se então de seu dicionário tupi-guarani e batizaram o quadro como Abaporu (o homem que come). Foi aí que Oswald escreveu o Manifesto Antropófago e criaram o Movimento Antropofágico, com a intenção de "deglutir" a cultura européia e transformá-la em algo bem brasileiro. Este Movimento, apesar de radical, foi muito importante para a arte brasileira e significou uma síntese do Movimento Modernista brasileiro, que queria modernizar a nossa cultura, mas de um modo bem brasileiro. O "Abaporu" foi a tela mais cara vendida até hoje no Brasil, alcançando o valor de US$1.500.000. Foi comprada pelo colecionador argentino Eduardo Costantini.


O Lago
O Lago - Maravilhosa tela da fase Antropofágica, com o colorido e o tema tão típicos de Tarsila. Seu sobrinho Sérgio comprou a tela e permaneceu com ela por muitos anos.


O Ovo ou Urutu
O Ovo ou Urutu - Nesta tela temos símbolos muito importantes da Antropofagia. A cobra grande é um bicho que assusta e tem um poder de "deglutição". A partir daí, o ovo é uma gênese, o nascimento de algo novo e esta era a proposta da Antropofagia. Esta tela pertence ao importante acervo de Gilberto Chateaubriand e está sempre sendo exibida em grandes exposições.


A Lua
A Lua - Este quadro era o preferido de Oswald de Andrade, seu marido quando pintou a tela. Ele conservou o quadro até sua morte (mesmo já separado de Tarsila).


Cartão Postal
Cartão Postal - Vemos a lindíssima cidade do Rio de Janeiro nesta tela, que é o maior Cartão Postal do Brasil. O macaco é um bicho Antropofágico de Tarsila que compõe a tela.


Antropofagia
Antropofagia - Nesta tela temos a junção do "Abaporu" com "A Negra". Este aparece invertido em relação ao quadro original. Trata-se de uma das telas mais significativas de Tarsila e o colecionador Eduardo Costantini, dono do "Abaporu", está muito interessado no quadro e já ofereceu uma soma muito alta por ele (que foi recusada pelos atuais donos).





domingo, 26 de fevereiro de 2012


 Elementos de ligação e ou conectores

Uma dissertação bem redigida apresenta, necessariamente, perfeita articulação de idéias. Para obtê-las, é necessário promover o encadeamento semântico (significado, idéias) e o encadeamento sintático (mecanismos que ligam uma oração à outra). A coesão (elemento da frase A retornado da frase B) é obtida, principalmente, através dos elementos de ligação que proporcionam as relações necessárias à integração harmoniosa de orações e parágrafos em torno de um mesmo assunto (eixo temático).

Tendo por base um levantamento elaborado por Otton Moacyr Garcia (Comunicação em Prosa Moderna), listamos os elementos de ligação mais usuais - advérbios, locuções, conjunções e preposições. Os itens seguintes encerram o significado de cada grupo de elementos de ligação
.

SIGNIFICADO
GRUPO
Prioridade, relevância
em primeiro lugar, antes de mais nada, primeiramente, acima de tudo, precisamente, principalmente, primordialmente, sobretudo
Tempo (freqüência, duração, ordem, sucessão, anterioridade, posterioridade)
então, enfim, logo, logo depois, imediatamente, logo após, a princípio, pouco antes, pouco depois, anteriormente, posteriormente, em seguida, afinal, por fim, finalmente, agora, atualmente, hoje, freqüentemente, constatemente, às vezes, eventualmente, por vezes, ocasionalmente, sempre, raramente, não raro, ao mesmo tempo, simultaneamente, nesse ínterim, nesse meio tempo, enquanto, quando, antes que, depois que, logo que, sempre que, assim que, desde que, todas as vezes que, apenas, já, mal.
Semelhança, comparação, conformidade
igualmente, da mesma forma, assim também, do mesmo modo, similarmente, semelhantemente, analogamente, por analogia, de maneira idêntica, de conformirdade com, de acordo com, segundo, conforme, sob o mesmo ponto de vista, tal qual, tanto quanto, como, assim como, bem como, como se.
Condição, hipótese
se, caso, eventualmente
Adição, continuação
além disso, (a)demais, outrossim, ainda mais, ainda por cima, por outro lado.
Também as conjunções aditivas: e, nem, não só, mas também etc.
Dúvida
talvez, provavelmente, possivelmente, quiçá, quem sabe, é provável, não é certo, se é que.
Certeza, ênfase
de certo, por certo, certamente, indubitavelmente, inquestionavelmente, sem dúvida, inegavelmente, com toda a certeza.
Surpresa, imprevisto
inesperadamente, inopinadamente, de súbito, subitamente, de repente, imprevistamente, surpreendentemente.
Ilustração, esclarecimento
por exemplo, isto é, quer dizer, em outras palavras, ou por outra, a saber, ou seja.
Propósito, intenção, finalidade
com o fim, a fim de, com o propósito de, para que, a fim de que.
Lugar, proximidade, distância
perto de, próximo a ou de, junto a ou de, dentro, fora, mais adiante, aqui, além, acolá, lá, ali.
E ainda algumas preposições e os pronomes demonstrativos.
Resumo, recapitulação, concusão
em suma, em síntese, em conclusão, enfim, em resumo, portanto, assim, dessa forma, dessa maneira, logo, pois.
Causa e conseqüência, explicação
por conseqüência, por conseguinte, como resultado, por isso, por causa de, em virtude de, assim, de fato, com efeito, porque, porquanto, pois, que, já que, uma vez, visto que, como (= porque), portanto, logo, pois (posposto ao verbo), que (= porque).
Contraste, oposição, restrição, ressalva
pelo contrário, em contraste com, salvo, exceto, menos, mas, contudo, todavia, entretanto, embora, apesar de, ainda que, mesmo que, posto que, conquanto, se bem que, por mais que, por menos que, no entanto.

Certas palavras têm classificação à parte, por isso convém dizer apenas palavra ou locução denotativa de:
1. Inclusão:
até, inclusive, mesmo, também etc.
2. Exclusão: apenas, exceto, salvo, senão, só, somente etc.
3. Designação: eis
4. Realce: cá.lá. é que, só etc.
5. Retificação: aliás, ou antes, isto é, ou melhor etc.
6. Situação: afinal, agora, então, mas etc.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Os alunos do terceiro ano participaram com muito entusiasmo do Carnvalores do Eremos. Vamos apreciar as fotos!!!






CONTEÚDOS DO TERCEIRO ANO   -PRIMEIRA UNIDADE
ANÁLISE LÍNGUÍSTICA E REFLEXÃO SOBRE A LÍNGUA
LÍNGUA E LINGUAGENS
- Análise das variações linguísticas.
- Trabalho, linguagem e realidade brasileira.
- Adequação linguística e ambiente de trabalho, a situações específicas de uso social.
- A linguagem e o desenvolvimento do senso crítico: humor e linguagem – charge, cartum, tirinhas, quadrinhos, etc.
- Argumentação, crítica e mídia impressa – notícia, propaganda, reportagem, jornal, revista, artigos de opinião.

LINGUAGEM DIGITAL
- Conceituação e identificação da  linguagem digital, estabelecendo relação com os gêneros textuais emergentes (sites na internet, carta eletrônica, bate-papo virtual, aulas virtuais conferências, etc.)
- Compreensão da ética na internet.

GRAMÁTICA NUMA PERSPECTIVA FUNCIONAL
O TEXTO COMO ELEMENTO DA ATIVIDADE DISCURSIVA.
- Identificação de conectores de articulação lógica e cronológica.
- Reconhecimento do valor expressivo de ecos e ambiguidades (valor polissêmico ou homonímico de palavras e expressões.)
- Identificação de aspectos linguísticos da construção do gênero textual. 

NORMAS DA ORTOGRAFIA OFICIAL
- Estudo de aspectos formais do uso da língua: normas da ortografia oficial, concordância verbal e nominal.

LEITURA, COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS E ESCRITOS
TEXTOS ORAIS: CARACTERÍSTICAS E ELEMENTOS ESTRUTURADORES
- Identificação de aspectos da oralidade em textos escritos.
- Reconhecimento da estruturação do discurso interativo no contínuo oral escrito: entrevista televisiva, telejornais.
- Identificação da intencionalidade comunicativa (marcas a partir das quais se pode identificar a posição do autor em relação às ideias veiculadas).
- Discussão de pontos de vista em textos literários.
- Utilização adequada de convenções para citação de discurso alheio. (menção de fontes, paráfrases, etc.).

LEITURA E COMPREENSÃO DE GÊNEROS TEXTUAIS
- Leitura e compreensão de texto argumentativo e suas características:
Resumo/ resenha crítica e carta argumentativa

ASPECTOS DA TEXTUALIDADE
- Reconhecimento de elementos pragmáticos (papéis sociais e comunicativos dos interlocutores, função sociocomunicativa do gênero, aspectos da dimensão espaço-cultural em que é produzido (ideia global, argumento principal e secundário- finalidade – síntese, gênero, etc.)
- Identificação de características de textualidade: intencionalidade, situacionalidade, informatividade, aceitabilidade, coesão (referência, elipse, repetição) e coerência (ideia principal/ detalhes de apoio, relações de causa e efeito, sequência temporal, espacial e relações de comparação e contraste), na construção da argumentação.
- Reconhecimento dos modos da composição textual (tipos textuais narrativo, descritivo, argumentativo, injuntivo, dialogal).
- Reconhecimento da organização da macroestrutura semântica (dimensão conceitual), articulação entre as ideias/proposições (relações lógico-semânticas) e progressão temática.
- Identificação de mecanismos enunciativos.
- Estudo de relações intertextuais: paródia

PRODUÇÃO DE GÊNEROS TEXTUAIS E REESCRITA
- Produção de texto argumentativo: resumo/ resenha crítica e/ou carta argumentativa.
- Retextualização: produção escrita de textos a partir de outros textos tomados como base ou fonte. (paródia).
- Reflexão sobre os textos produzidos.
- Reelaboração (revisão/reescrita) do texto.

LITERATURA
LITERATURA E LINGUAGEM ARTÍSTICA
- A literatura e a construção da modernidade e do moderno com identificação na leitura e na linguagem, as intenções de cunho ideológico (político e econômico) dos agentes de produção de textos.
- Texto literário: prosa e poesia modernas. Reconhecimento no texto de marcas decorrentes de épocas em que foi produzida, como a comparação entre a poesia do século XIX com a do século XX.

ESTILOS LITERÁRIOS
- As Vanguardas Europeias.
- A literatura Pré-Modernista.
-ROMANCES:  TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA    - LIMA BARRETO
                          URUPÊS                                                          -MONTEIRO LOBATO
                          OS SERTÕES                                                 -EUCLIDES DA CUNHA
                                                                                                  -Valdomiro Silveira,
                         

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

LEIA TODAS AS POSTAGENS DO  SEU BLOG

ATENÇÃO PARA AS ATIVIDADES  JÁ AGENDADAS COM VOCÊS...

MENSAGEM  IMPORTANTE:

Há diversos tipos de pessoas. Podem ser comparadas às estrelas fixas, fugazes ou aos próprios cometas. As fugazes são aquelas que aparecem de repente, cruzam nossos caminhos, enchem-nos de esperança e desaparecem, da mesma forma que surgiram.
Fragmentam-se em sua própria existência , fragilidade, conseqüência . Também fragmentam a vida das pessoas com as quais convivem, mesmo que rápida ou instantaneamente. São as próprias estrelas cadentes, que nutrem-nos de desejos e mistérios e, ao sabor do atrito, partem-se na atmosfera, sublimando-se. Passam sem deixar rastro ou, quando deixam, este é logo apagado pelas intempéries da vida, tal como o vento a varrer as marcas nas areias de um deserto.

Os cometas passam. Apenas são lembrados pelas datas que passam ou retornam. Tal qual os cometas, algumas pessoas . Surgem por uns instantes apenas e arrancam-nos os sentimentos. São aqueles amigos de instantes, de conveniências. Apresentam-se brilhantes e vistosos. Acalentam-nos, envolvem-nos ...Mas, seguem seus caminhos, passam por nós. Não prendem ninguém e também a ninguém se prendem. Desaparecem, simplesmente.
A solidão é resultante do encontro com estas pessoas cometas. O importante é sermos estrelas, pois elas permanecem. O Sol, juntamente com cada ponto de prata a reluzir, pelo espaço afora, permanece por anos, milhões de anos. Precisamos permanecer. Precisamos estar presentes. Sermos luz e calor. Sermos vida. Precisamos preservar valores, amizades.

Ser amigo é ser estrela. Podem passar os anos, os séculos, ou mesmo os milênios, que a verdadeira essência permanece. Podem surgir distâncias, mesmo de milhares de anos-luz , mas as marcas da verdadeira amizade ficam sensibilizadas no filme de nosso coração, de nossa alma. Ser estrela , neste mundo passageiro, neste mundo cheio de pessoas cometas, pessoas fugazes , é um desafio. Mas, como todo desafio, há uma recompensa. Neste caso, o engrandecimento da nossa essência, mostrando-nos a que viemos e aonde vamos, quando chegarmos ao termo em nossa tarefa.

Que nosso brilho, nossa luz, nosso calor invadam nossa breve passagem terrena, irradiando fluxos da mais harmoniosa energia. Que, um dia, possamos olhar para trás e ver que deixamos os mundos por onde passamos melhores do que encontramos. Ser estrela é nascer e viver, não apenas existir. Não é brilhar em vão com as mesquinharias que nos circundam. É irradiar o infinito da alma, mesmo que ao redor exista vácuo.


Escrever


Escrever é fabricar expressões,
                É materializar significados,
                É serenizar os versos e os seus sentidos,
                É fazer dos compêndios nossos mestres.
Logo escrever é maternizar os textos, e chamá- los de filhos.

Escrever é não tão somente grafitar letras,
                 É, com certeza, semear alfabeto,
                 É, antes de tudo laurear palavras.
Portanto, escrever corporifica a poesia.


Escrever magistra o simples e noblita o arcaico,
Escrever celebra arte que é a palavra ,
Escrever assanha os artesões da poesia,
Convenientemente, escrever incensa os sonhos.

Escrever é fazer de um risco uma linha reta,
                É lubrificar com almíscar verbete por verbete,
                É ladrilhar o texto com metáforas alegóricas,
                Sem dúvida, escrever é habitar no castelo das prosopopeias.
                E se deslumbrar com sinestésicas palavras.

Acima de tudo, escrever é comungar a objetividade com a subjetividade.
                É somar a denotação e a conotação,
                Porque escrever é matizar as figuras da linguagem,
                E expressar verdadeiramente as inverdades,
                E ouvir as gargalhadas dos estribilhos,
                E festejar a construção destes versos.

                                                                        Iracema Crateús