Escola de Referência de Ensino
Médio Otacílio Nunes de Souza
Profa. Iracema
Atividade de literatura
Data: 24.08.12
Erro de
português
Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.
Oswald de Andrade
1-A que fato se refere o texto?
2- As palavras português e pena têm
dois significados no contexto. Quais?
3- Leia um trecho do registro de 23
de abril, da carta de Pero Vaz de Caminha:
[...] Na noite seguinte ventou tanto
sueste, com chuvaceiros, que fez caçar as naus e especialmente a capitânia.
[...]
A versão de Oswald de Andrade para
esse fato sintetiza a linguagem da carta. Copie o verso que corresponde a esse
trecho da carta.
4- O poema levanta uma hipótese: a
inversão do fato histórico.
a) Que verso exprime a condição para
que tal hipótese pudesse ser concretizada?
b) Que versos exprimem a inversão dos
fatos?
Os Sapos
Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.
Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
- "Meu pai foi à guerra!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.
O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.
Vai por cinquenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.
Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas..."
Urra o sapo-boi:
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".
Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
- A grande arte é como
Lavor de joalheiro.
Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo".
Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!".
Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;
Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é
Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.
Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
- "Meu pai foi à guerra!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.
O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.
Vai por cinquenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.
Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas..."
Urra o sapo-boi:
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".
Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
- A grande arte é como
Lavor de joalheiro.
Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo".
Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!".
Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;
Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é
Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...
Ronald de Carvalho declamou esse
poema de Manuel Bandeira, em meio a vaias do público, na Semana de
Arte Moderna de 1922, em São Paulo, evento esse que Bandeira não participa,
efetivamente.. Esse evento iniciou o Modernismo na Literatura e nas Artes no
Brasil.
Vocabulário
Enfunando: inchando
Penumbra: escuridão
Deslumbra: ofusca, perturba a vista
Aterra: dá medo
Primo: sou hábil
Termos cognatos:
palavras de origem comum. Ex: terreno, terreiro, terra.
Frumento: trigo
Joio: erva daninha que cresce no meio
do trigo
Clame grite
Céticas: descrentes
Perau: substantivo masculino
1 Regionalismo: Rio Grande do Sul.
declive que dá para um rio ou arroio
2 Regionalismo: Brasil.
lugar íngreme, escarpado; precipício
1 Regionalismo: Rio Grande do Sul.
declive que dá para um rio ou arroio
2 Regionalismo: Brasil.
lugar íngreme, escarpado; precipício