domingo, 8 de abril de 2012


 
Escola de Referência em Ensino Médio Otacílio Nunes de Souza
Prof. Iracema
REVISÃO    -   ROMANTISMO
·         Tendência que se manifesta nas artes e na literatura no final do sec. XVIII até o final do sec. XIX. Nasce na Alemanha, na França e na Inglaterra, mas é na França que ganha força e se espalha pela Europa e pelas Américas.
·         Individualismo e relativismo – base da atitude romântica
·         Opõe-se ao  racionalismo e ao rigor do neoclassicismo.
·         Defende a liberdade de criação e privilegia a emoção.
·         “O soluço em que rebenta um sentimento pessoal seria o objetivo da poesia.”
·          As obras valorizam o individualismo, o sofrimento amoroso, a religiosidade cristã, a natureza, os temas nacionais e o passado
·         São características do Romantismo:

• Liberdade de criação e de expressão
• Nacionalismo
• Historicismo
• Medievalismo
• Tradições populares
• Individualismo, egocentrismo
• Pessimismo
• Escapismo
• Crítica social
·         Criar uma identidade estética para o burguês.
·         Valorizar na obra o indivíduo e toda a sua complexidade emocional, abolindo o controle racional.
·         A profissionalização do artista.
·         Ampliação da circulação das obras por meio da publicação em jornais e revistas

AS TRÊ GERAÇÕES DO ROMANTISMO
·         1ª Geração  - conhecida também como nacionalista ou indianista, pois os escritores desta fase valorizaram muito os temas nacionais, fatos históricos e a vida do índio, que era apresentado como " bom selvagem" e, portanto, o símbolo cultural do Brasil. Destaca-se nesta fase os seguintes escritores : Gonçalves de Magalhães, Gonçalves Dias, Araújo Porto Alegre e Teixeira e Souza.
·         2ª Geração –
Conhecida como Mal do século, Byroniana ou fase ultra-romântica. Os escritores desta época retratavam os temas amorosos levados ao extremo e as poesias são marcadas por um profundo pessimismo, valorização da morte, tristeza e uma visão decadente da vida e da sociedade. Muitos escritores deste período morreram ainda jovens. Podemos destacar os seguintes escritores desta fase : Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e Junqueira Freire.
·          Geração –
conhecida como geração condoreira, poesia social ou hugoana. textos marcados por crítica social. Castro Alves, o maior representante desta fase, criticou de forma direta a escravidão no poema Navio Negreiro.
·         A poesia é o principal veículo de expressão.
·         Frases diretas, metáforas, vocábulos estrangeiros, personificação e comparação são características marcantes. Busca da liberdade formal.
·         A literatura romântica consiste de um ponto de vista pessoal “ a palavra é um molde renovável a cada experiência, que é fugaz e irreproduzível”.
·         Alemanha- Nacionalismo – Expressão da “alma do povo. Walter Scott – Ivanhoé
·         Inglaterra – Exagero e exotismo – resgate do gótico medieval – Lord Byron
·         França – consciência social  -   Victor Hugo – Os miseráveis
Romantismo no Brasil
·         Surge em 1836, influenciado pela independência, em 1822, que desperta:
·         O desejo de exprimir o orgulho patriótico –o resgate do mito do “território sagrado”
·          O desejo de motivar uma literatura independente e diversa
·         Noção de atividade intelectual como tarefa patriótica na construção nacional.
Niterói, Revista Brasiliense de Ciência, letras e  artes – 1836, em Paris.  “Tudo pelo o Brasil e para o Brasil” –“Suspiros Poéticos e Saudades” é o marco do Romantismo no Brasil
·         Nacionalismo – manifestação de vida, exaltação afetiva, tomada de consciência, afirmação do próprio contra o imposto-soberania do tema local.
·         Romantismo – Transfigurador de uma realidade mal conhecida e atração pelos modelos europeus.
·         Indianismo – identificação do selvagem contra os desmandos e violência do colonizador.
1ª geração- Nacionalista ou indianista
  • Afirmação da identidade brasileira
  • Resgate do índio e da natureza como símbolo de nacionalidade
  • “A fundação da imprensa régia facilita a circulação das obras e, aos poucos, é formado um público leitor.”
  • Gonçalves Dias destaca-se pelas qualidades superiores de inspiração e consciência artística. Elabora poesias lírica-amorosa, mas se sobressai na lírica – indianista.
  • Regenerador da poesia nacional de Basílio da Gama e Frei Santa Rita Durão.
  • Temas: índio como herói, exoticidade e nativismo, patriotismo, religiosidade e Lirismo (amor platônico).
2ª Fase- Ultrarromântica ou Byroniana
  • Projeto literário – a idealização e o interesse por dois temas essencialmente românticos – AMOR X MORTE
  • Destacam-se Álvares de Azevedo, Fagundes Varela e Casimiro de Abreu.
  • Temas voltados para o egocentrismo.
  • Morte, satanismo, poesia cemiterial, tédio, solidão, saudosismo/escapismo, erotismo/sensualismo, volta da temática da natureza como escapismo.

3ª fase –Condoreira ou Hugoniana
  • Poesia de cunho social-destacam –se Castro Alves e Tobias Barreto.
  • Temas sociais (Abolição da escravatura e defesa da República
  • Tom declamatório – uso de exclamações, metáforas , apóstrofes e metáforas.
  • Exaltação da natureza
  • Características de sua obra
  • Uso das figuras de linguagem: comparação, metáfora, antíteses, hipérboles, etc
  • Libertação do egocentrismo: ao discutir os problemas sociais, o poeta deixa de se importar somente com ele e passa a se preocupar com todos ao seu redor
  • Gosto por espaços amplos e elementos da natureza: mar, infinito, céu, deserto, cachoeiras, tempestades, montanhas, etc.
  • Na poesia amorosa (lírica) de Castro Alves, a mulher aparece envolvida por um clima de erotismo e paixão.
  • O amor é encarado como uma experiência viável e concreta, que pode trazer felicidade e dor ao mesmo tempo.
  • O amor já é visto na sua fase “adulta” e “amadurecida” e não tão cheio de ilusões.

Prosa
  • O romance é uma espécie de contrapeso do individualismo romântico. Caracterizam-se em quatro vertentes:
  • Romance social (ou urbano) – A moreninha (Joaquim Manuel de Macedo) e Senhora ( José de Alencar).
  • Romance Histórico – As Minas de Prata (José de Alencar)
  • Romance indianista – Trilogia – O Guarani, Iracema e Ubirajara- José de Alencar.
  • Romance regionalista- transição para o realismo – A Escrava Isaura (Bernardo Guimarães) e Inocência (Visconde de Taunay)
  • Outros autores: Manuel Antônio de Almeida, Joaquim de Souza Andrade e Martins Pena  ( O Noviço).
  • Temas da ficção romântica
  • passadista e colonial - O Guarani e As Minas de Prata de Alencar, As Mulheres de Mantilha e O Rio do Quarto de Macedo, Maurício e O Bandido do Rio das Mortes de Guimarães...
  • indianista - Iracema e Ubirajara de Alencar, O Índio Afonso de Guimarães
  • sertaneja - O Sertanejo e O Gaúcho de Alencar, O Garimpeiro de Guimarães, Inocência de Taunay, O Cabeleira e o Matuto de Távora
  • urbanos ou de costumes - várias obras de Alencar como as três mulheres: Diva, Lucíola e Senhora; além de Cinco Minutos, A Viuvinha, Sonhos D’Ouro e Encarnação
  • documento do Rio do tempo de D. João - Memórias de um sargento de Milícias

*      Joaquim Manuel de Macedo
*      Atravessou todo o movimento romântico e nota-se em sua obra um progresso na técnica literária. Era o autor mais lido no Brasil até o final da década de 40 com O Guarani de Alencar.
*      São temáticas comuns ás suas obras: namoro difícil ou impossível, presença de jovens casadoiras e estudantes, mistérios de identidade de personagens e identificação final, conflito entre dever e paixão, alguma comicidade, espécie de documento de costumes da época. A linguagem é simples com tramas fáceis, amor e mistério culminando com um final feliz.
Obras:
*      Romance - A Moreninha (1844), O Moço Loiro (1845), Os Dois Amores (1848), Rosa (1849), Vicentina (1853), O Forasteiro (1856), O Culto do Dever (1865), A Luneta Mágica (1869), As Vítimas Algozes (1869), O Rio do Quarto (1869), As Mulheres de mantilha 91870), A Namoradeira (1870).
*      Várias peças de teatro, a poesia A Nebulosa (1857) e outros escritos.

Manuel Antonio de Almeida
*      Publica em folhetins Memórias de um Sargento de Milícias, obra totalmente inovadora para a sua época. Pode ser considerado o verdadeiro romance de costumes do Romantismo brasileiro, por não estar vinculado à visão burguesa. Retrata o povo em toda a sua simplicidade, malícia, humor e sátira. Sua descrição não se resume ao ambiente, mas introduz juízos de valor e crítica. Apresenta um anti-herói picaresco, que desde sua origem já está ligado ao real e ao humor. É considerado por muitos como um precursor do Realismo. Caracterizam a obra o estilo frouxo, linguagem por vezes até descuidada e um final feliz.
Obras:
*      Romance - Memórias de um sargento de Milícias (1852-53)
José Martiniano de Alencar
*      Consolidador do romance, um ficcionista que cai no gosto popular. Sua obra é um retrato fiel de suas posições políticas e sociais: grande proprietário rural, político conservador, monarquista, escravocrata, burguês. Pode-se perceber o medievalismo no personagem de O Guarani, Peri (bom selvagem) que deveria respeitar a realidade social de que ao senhor de tudo deve-se obediência, respeito e lealdade.
*      Defende o “casamento” entre o nativo e o colonizador numa troca de favores (temática presente em O Guarani - Ceci e família e Peri e em Iracema com Moacir, filho de Iracema e Martim. Tudo isso traduzido numa linguagem coloquial, diálogos bem feitos por sua formação de professor de Português.
*      Sua vasta obra conta com romances urbanos, históricos, regionais e rurais, além dos indianistas. Iracema é uma obra que denota as grandes características de Alencar: paisagista e pintor de perfis femininos.
Obras:
*      Romances: Cinco Minutos (1856), O Guarani (1857), Viuvinha (1860), Lucíola (1862), As Minas de Prata (1862), Diva (1864), Iracema (1865), O Gaúcho (1870), A Pata da Gazela (1870), O Tronco do Ipê (1871), Sonhos D’Ouro (1872), Til (1872), Alfarrábios (1873), A Guerra dos Mascates (1873), Ubirajara (1874), Senhora (1875), O Sertanejo (1875), Encarnação (1893).
*      Algumas peças de teatro, crônicas e autobiografia, crítica e a poesia inacabada O Filho de Tupã
Visconde de Taunay
*      Autor de Inocência, romance regionalista de tom sóbrio e detalhista quanto á paisagem. Obra de pouca fantasia, mas com as relações entre paisagem e o meio bem definidas. Alguns aproximam este romance de um estilo mais realista-naturalista.
Obras:
*      Romance: A Mocidade de Trajano (1872), Lágrimas do Coração (1873)
*      Narrativas: Histórias Brasileiras (1874)
*      Comédia: De mão à Boca se Perde a Sopa (1874)
*      Drama: Narrativas Militares. Cenas e Tipos (1878), Quadros da natureza (1882), Fantasias (1882), Amélia Smith (1886)

Franklin Távora
*      Produz uma obra regionalista num tom de manifesto, mas sem muita repercussão da temática nordestina em O Cabeleira. Temática voltada para o banditismo como efeito da miséria, latifúndio, secas e migrações.
obras:
*      Contos - A Trindade maldita (1861)
*      Romance - Os Índios do Jaguaribe (1862), A Casa de Palha (1866), O Cabeleira (1876), O Mulato (1878), Lourenço (1881)
*      Novela - Um Casamento no Arrebalde (1869)

Martins Pena
*      Ligado ao teatro, inaugura a comédia de costumes com uma sutil sátira social. Por isso sua obra foi aproximada de Memórias de um Sargento de Milícias. Autor com profundo grau de observação, trazendo à cena personagens típicos da sociedade da época.









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