sexta-feira, 23 de novembro de 2012



DISCIPLINA  - LÍNGUA PORTUGUESA, LITERATURA E REDAÇÃO
PROFA. IRACEMA
CARACTERÍSTICAS  DA LITERATURA    - POESIA  -  PÓS -  MODERNA
São muitas as características da poesia atual. Elas variam  do  Concretismo  ao Poema Processo e Poema-Práxis, mas há uma semelhança entre
ambas:
a)Reformulação da "arte pela arte",objeto artesanal (forma disciplinada);  b)Valorização do ritmo e da forma;
c)Temática humana universal, valorização do homem(universal);  d)Ausência de sinais de pontuação;
e)Valorização do espaço em branco; f)Estrutura ideogramática, apelo à comunicação não-verbal;
g)Aproveitamento da linguagem de propaganda, de recortes de jornais, revistas, etc. h)Valorização da pintura, escultura, música e decoração;
i)Mensagem geometrizada;  j)Leitura pluridemensional, leitura não discursiva;  l)Valorização da palavra em si, contra o verso como unidade rítmica;
m)A reformulação do poema que não deverá ser outra coisa, senão poema; n)Aproveitamento do tape, do cinema, da fotografia (imagens).  

CARACTERÍSTICAS DOS PARTICIPANTES

RUBEM FONSECA – HIPER REALISMO:
Volta-se ao espaço urbano;   Temas: alienação, violência; marginalização, nevrose, loucura… Personagens: marginais, polícias,  magnates, jornalistas, escritores…
Estilo: 1.Linguagem coloquial, registo vulgar;  2.Protagonistas/narradores caracterizados negativamente pelas suas acções
  3.Falta de comentários por parte de um narrador heterodiegético.

LYGIA FAGUNDES TELES:
1)Diferente de muitas escritoras, ela nunca manteve um diário. A razão é simples: Lygia       tem certeza de que acabaria inventando tudo.
2) A realidade  virar ficção, e ficção da melhor qualidade, como a que ela produz há tanto tempo.
3)Nunca considerou a possibilidade de escrever um livro de memórias ou uma autobiografia, sob o risco de reinventar a própria vida com sabor de romance.
4) Lygia é reservada.
5)Prefere expor suas emoções na voz dos personagens -no que eles dizem e, principalmente, no que não dizem, marca registrada de seu estilo.
6)Para ela, o final importa menos do que o desenrolar da história, na literatura e na vida real. ''Do início até o último porto, só interessa a viagem: às vezes tem tempestade, ondas enormes cobrem o barco; depois vem a calmaria e podemos desfrutar de um horizonte claro. Mas se durante essa travessia a gente prosseguir desejando o bom, o belo e o verdadeiro, então tudo terá valido a pena.''

NELSON RODRIGUES:
Nelson Falcão Rodrigues nasceu no Recife, em 23 de agosto de 1912, o quinto filho de uma família de catorze. Quando tinha três anos, seu pai, Mário Rodrigues, foi tentar a  sorte no Rio de Janeiro, capital da República. O combinado era que tão logo  encontrasse trabalho, chamava a família para ir a seu encontro. Maria Esther, sua  esposa, não agüentou esperar. Em 1916, empenhou as jóias e mandou um telegrama  para o marido, já avisando do embarque naquele mesmo dia. Nelson conta, nas  "Memórias" publicadas no "Correio da Manhã", que se não fosse a atitude da mãe, o pai jamais teria permanecido no Rio.  Muita gente conhece e reconhece Nelson Rodrigues como um escritor de grande fôlego e importância dentro do panorama do moderno teatro brasileiro. Mas poucos têm notícia de Susana Flag, um pseudônimo adotado por Nelson em quatro romances que circularam, sob a forma de folhetim, entre os anos de 1944 a 1947. Talvez por essa razão, a iniciativa da Editora Nova Fronteira de publicar "Meu Destino é Pecar" tenha suscitado nos leitores uma curiosidade só saciada quando se chega ao final de 587 páginas dessa primeira aventura em que Nelson está travestido de Susana. 
Não se pode negar, conhecendo a sua história pessoal e seu longo e decisivo percurso como teatrólogo e como cronista, que o impulso que induz à leitura é a curiosidade em torno do porquê do pseudônimo e a inevitável busca das obsessões temáticas e estilísticas que marcaram definitivamente esse escritor brasileiro. 

FERREIRA  GULLAR
¨      Linguagem lógica ou discursiva;  aproximação consequente entre a palavra e o objeto descrito conduz à utilização de recursos imprevistos;
¨      Cortes de frases, isolamento da palavra, aproveitamento gráfico da página;
¨      Sua linguagem, captando o ritmo das coisas, parece, gesticula;
¨      Neoconcretismo de Ferreira Gullar é o objeto artístico que adquire dimensão humana;
¨      É expressivo e digno de um grande campo de interpretação;
¨      É nesse contexto neoconcretista que o poeta se insere, explorando o silêncio e as suas múltiplas partículas;
¨      A curiosidade do primeiro espectador de um tempo em metamorfose, a intensificação do consciente pronunciado;
¨      Uma grande parte da sua obra poética é acessível ao grande (termo que na poesia deveria sempre vir entre aspas) público;
¨      As palavras e as ideias não são, em geral, intelectualizadas, possuindo a estrutura poemática um efeito direto e não menos forte, suprimindo habilmente as barreiras que a linguagem por vezes impõe;
¨      E isto, claro, sem ignorar as imagens, comparações e metáforas que essa poesia nos oferece, muitas delas ligadas ao físico e ao palpável, o que acaba por ser, eu diria, uma marca da poesia de Ferreira Gullar.

ADÉLIA PRADO
A)A revalorização da identidade feminina, como ser pensante e ser maternal.
B)Aqui, o grande valor desta poeta. Ou seja, Adélia conseguiu conciliar a intelectual      com a mãe, esposa e dona-de-casa; ela conseguiu o equilíbrio entre o feminismo (  movimento agressivo) com o feminino (natureza intrínseca).
C)Em seus poemas, estão muito bem colocadas as figuras masculinas ( pai, marido,      filho), sem observamos sinais de conflito, fato este que não se observa nas poetas   mais atuais.
D)A característica de sua poética? Lírica, suave, simples, leve. E com um estilo próprio,      diferente de Cecília Meireles (considerada, ainda, o grande expoente feminino da  poesia brasileira. 

ARIANO VILAR SUASSUNA
Nasceu a 16 de junho de 1927, na cidade de Nossa Senhora das Neves, então capital da Paraíba. Foi Professor de Estética da Universidade Federal de Pernambuco durante mais de trinta anos e é imortal da Academia Brasileira de Letras desde 1990. Hoje, ocupa o cargo de Secretário da Cultura do Estado de Pernambuco.
Dentro do panorama dramatológico brasileiro, o teatro de Suassuna é visto de forma diferenciada por apresentar características de uma criação pessoal e original. Ao reutilizar como fonte de criação a literatura de cordel tradicional do Nordeste brasileiro associando-a com uma literatura convencionalmente rotulada como "erudita", vinda de Roma e passando pelo teatro popular de Gil Vicente; Suassuna dissolve por completo paradigmas, fricciona conceitos e propicia montagens e conexões originais favorecendo a criação de um espaço semiótico rico e polifônico. Seus autos, além de explorar muitos recursos estéticos, se prestam à análise dos elementos estéticos do teatro observados pelos semioticistas russos.
Para isso, justapõe temas de caráter universal como os binômios vida/morte e homem/ Deus a um nacionalismo pungente do qual afloram a seca, problemas econômicos, injustiças sociais, e, utiliza como cimento desta montagem, a evidente riqueza poética multiplicada através das inúmeras manifestações culturais de caráter popular.
Todo este exercício desenvolvido por Suassuna na composição de sua obra atingiria seu apogeu anos mais tarde, com o advento do Movimento Armorial - manifestação de caráter artístico-cultural nascida em Pernambuco na década de 70 que visava dar uma nova roupagem à cultura popular brasileira e , em, especial à cultura nordestina, nas suas mais variadas formas de expressão como pintura, música, escultura e literatura, entre outras.
Sua bibliografia reúne duas dezenas de peças teatrais, poesia, ficção e ensaios.
ANÁLISE DA OBRA DE ARIANO SUASSUNA -1.Construção das personagens -> cada personagem representa uma classe social - que é criticada - e, por vezes, possui um nome que o identifica a função que exerce na comunidade onde vive, ou apelidos cômicos, como acontece com João Grilo, Chico, a mulher do padeiro, todos do Auto da Compadecida;
2.religiosidade -> reforça a manipulação que o clero exerce sobre o povo mais simples, compactuando com os interesses econômicos representados por coronéis, bispos (Ariano Suassuna)  as figuras de diabos, anjos, Jesus e Nossa Senhora estarão presentes nas obras, com a devida evolução de linguagem no caso dos textos de Suassuna - dentre essas a figura que rouba a cena é a do diabo pela sua força expressiva e sua posição de juiz das almas já que enumera as falcatruas dos outros personagens (efetuando, inclusive, uma rememoração da história que está sendo contada)
3.crítica social -> os períodos históricos em que os autos são escritos apresentam características semelhantes: grande desnivelamento social, fome, desmandos de poderosos e, em se tratando das obras de Suassuna, há o agravante dos fatores naturais que tornam a vida do sertanejo muito difícil.
4.ironia -> é a grande marca que identifica os autores e é o grande recurso utilizado para elaborar a crítica.  Ariano Suassuna, o mesmo será comprovado no reconhecido Auto da compadecida, mas também em O santo e a porca e em Farsa da boa preguiça.

Nenhum comentário: